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Cachoeiro de Itapemirim/ES, 6.9.2010 - Edição N° 4163
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LUIZ PAULO VELLOZO LUCAS



INSTITUIÇÕES, ÉTICA E SORTE
por Luiz Paulo Vellozo Lucas
17/8/2010

 

 

Luiz Paulo Vellozo Lucas, Deputado

INSTITUIÇÕES, ÉTICA E SORTE

Recentemente, as pági­nas amarelas da Veja trouxeram entrevista com Daron Acemoglu, economista do MIT nascido na Turquia, que aborda o sucesso dos países por uma ótica muito interessante. Diz ele que os países dão certo na medida em que suas instituições políticas e econô­micas regulem a disputa pelo poder e pela riqueza de forma “inclusi­va”, impedindo que os governantes exerçam o poder de modo arbitrá­rio em beneficio de apaniguados.

Se a competição e a rivalida­de forem reprimidas pelos gover­nantes, sem que haja instituições que informem através de um siste­ma de pesos e contrapesos o exercí­cio do poder, não haverá renovação nem dinamismo na economia. Em resumo: a ética política faz bem à economia, ou melhor, é impres­cindível.

Além do argumento “Shumpe­teriano” da destruição criativa, e do papel das instituições éticas e res­peitadas , o professor Daron usa, sem preconceito, a componente “sorte” no seu discurso. Existem alguns excelentes livros publica­dos recentemente sobre o papel do “aleatório”, do “imponderável” e dos fatos “altamente improváveis” que acontecem e alteram a previ­sibilidade e o curso dos aconteci­mentos.

“A Lógica do Cisne Negro”, do libanês/americano Nassin Ni­cholas Taleb, é uma leitura obri­gatória para planejadores e estra­tegistas em qualquer dimensão: vida pessoal, empresa, organiza­ção ou governo. O acaso e as coin­cidências explicam muito mais do que nós habitualmente preferimos acreditar. No livro, Nassin traça um impiedoso perfil dos vários ti­pos de “explicadores de fatos extra­ordinários” e de “adivinhadores de tendências futuras” que infestam a academia e a imprensa.

No excelente livro “Andar do Bêbado”, do físico americano Le­onard Mlodinow, ele mostra como os jurados do caso O.J. Simpson foram ludibriados por um raciocí­nio probabilístico distorcido e aca­baram convencidos que o fato do acusado sistematicamente bater na mulher não fazia dele o princi­pal suspeito. Como menos de 1% dos agressores se tornam assassi­nos o júri esqueceu a correlação es­tatística mais importante, qual seja: mais de 99,5% dos assassinos com­provados são ou foram agressores. Os números não mentem mas os homens mentem a custa dos nú­meros. Trata-se de torturar os da­dos ate que eles confessem o que se deseja provar.

Eleições são um prato cheio para previsões e teorias sobre o futuro. As pesquisas de opinião são usadas a gosto para sustentar o prognóstico dos especialistas e os modelos probabilísticos enfei­tam de linguagem matemática pi­lhas de supostas “previsões cientí­ficas”. Os grandes clientes são os especuladores e os políticos opor­tunistas que ficam esperando as pesquisas apontarem um resultado com segurança suficiente para fa­zerem suas apostas. É aí que apa­recem os “cisnes negros”, os fatos altamente improváveis que teimam acontecer, para o desespero dos que viram certezas sólidas se desman­chando no ar.

 

 

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