BRASIL SEGUE EM BOA ROTA
GULHERME LACERDA
MESTRE E DOUTOR EM ECONOMIA E PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO DOS ECONOMIÁRIOS
Recentemente, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn enfatizou, em visita ao Brasil, que o nosso País é exemplo de política fiscal para o mundo. Tais palavras, ditas há algum tempo atrás, soariam como um delírio, mas desta vez não nos surpreendeu.
A verdade é que merecemos tal exaltação. O país fez adequadas escolhas de políticas fiscais e monetárias antes, durante e depois da Crise. Enquanto isso, a forte deterioração fiscal da zona do euro penalizará o crescimento de seus países, forçando-os à adoção de uma série de medidas restritivas e de elevado custo social.
A nosso favor, sublinha-se o fato de desenvolvermos políticas sociais bem-sucedidas, suportáveis em seus custos, e que tem diminuído nossa perversa desigualdade de renda. Nos últimos cinco anos houve a ascensão de mais de trinta e um milhões de pessoas para classes sociais de melhor nível de renda. Enfim, foi consolidada a idéia de desenvolvimento com justiça social. Tal condição representa enorme avanço, pois é fruto de uma preciosa interpretação dos melhores anseios da população, pactuados com as forças produtivas, a partir da liderança do Presidente Lula.
Percebemos, com entusiasmo, a multiplicação de projetos (antes não imaginados), em sintonia a uma intensa mobilização do empresariado brasileiro. Os Bancos Oficiais e Investidores Institucionais, agora estimulados, passaram a dar suporte a investimentos privados, aumentando os níveis de emprego e de produção.
Alguns indicadores já atestam essa nova etapa do desenvolvimento nacional. Em 2010, voltamos a crescer a taxas anualizadas que lembram um “novo milagre” econômico, com o país bem menos ameaçado por interrupções, advindas de crises internas e externas de toda ordem.
Tudo indica que ficou para trás o fim dos “vôos de galinha”, tão apregoados em décadas passadas e ainda no imaginário de muitos pseudos “formadores de opinião”. Nossa decolagem agora é bem mais segura, respaldada pelo combustível da grande melhora de nossos fundamentos: reservas Internacionais robustas, credores internacionais, crescimento sustentado do crédito, fortalecimento da demanda doméstica, auto-suficiência energética, dívida pública e inflação sob controle, aumento das taxas de investimentos, juros reais em patamares históricos baixos e um sistema financeiro sólido e bem regulado, que também é exemplo para o mundo, tais quais nossos programas de transferência de renda.